quarta-feira, 20 de abril de 2011

Montmartre... arte e boemia

Véspera de feriado, Semana Santa, tudo com aquele clima meio suspenso, paradinho, morninho... todos ansiosos pelo fim de semana prolongado. Para dar uma sacudida nesse marasmo, vou escrever as minhas impressões sobre um dos bairros mais charmosos de Paris: Montmartre!

Situado no alto de uma colina, o bairro é favorecido por uma vista privilegiada da cidade. Suas ruas e vilas estreitas e sinuosas acabam nos seduzindo, porque a gente vai caminhando e não sabe exatamente o que vai encontrar à frente.
Por vezes, um cantor se apresentando na calçada, um museu exclusivo de Salvador Dali, um desfiladeiro quase sem fim com a capital parisiense aos seus pés, uma feira de artistas plásticos ou, simplesmente, um buldog com a cara mais fechada do mundo passeando entre os turistas embevecidos.

Montmartre é assim: pura boemia, com vida intelectual efervescente e muita arte nas veias. Uma delícia de lugar! Comparando grosseiramente, para quem é carioca, é uma versão ampliada e muito melhorada de Santa Teresa.

Os artistas exibem seus dons pelas ruas e esquinas, se oferecem para fazer seu retrato, produzem em larga escala. Há uma feira imensa numa praça, onde eles comercializam suas obras e aceitam encomendas (tem gente que cria e faz tudo na hora, inclusive, você pode ir acompanhando). Os cantores também se apresentam assim, pelas calçadas, e - com sorte - arrecadam verba com os turistas para suas carreiras.

Há variados bistrôs, lanchonetes, restaurantes, sorveterias, creperias.... a gente fica tonto de tanta opção para todas as direções.

As ruas estão sempre agitadas, barulhentas, movimentadas e cheias.

Ainda assim, o lugar consegue preservar sua essência e charme.



É ótimo viajar no tempo e imaginar que ali se reuniam Monet, Renoir, Van Gogh, Degas, Cézanne e Toulouse-Lautrec, assim como outros pintores e artistas expressivos de sua época. Suas presenças no bairro contribuíam para que Montmartre tivesse um clima de vida ainda mais libertário e leve.

E ali estava eu.... me deliciando com cada prédio, cada árvore e deixando minha cabeça completamente solta, perdida em pensamentos lindos e inspiradores... ahhhhhhhh.... como amo essa cidade! Como é bom saber que existe um lugar no mundo que enche nosso coração de alegria e conforto.

Visite Montmartre quando estiver em Paris e desfrute dessas sensações prazerosas. Sua chegada ao bairro é abençoada de cara, pois o acesso acontece via Basílica de Sacré-Coeur (vou falar sobre ela em outra postagem, com mais detalhes).

"Se jogueeeee" em Montmartre,
sem receio de ser imensamente feliz!!!!!

Descubra, por você mesmo, todos os encantos dessa gostosura de lugar.... você vai se
surpreender!

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Marie Antoniette, a Rainha da Moda

Vamos continuar nosso lindo passeio pelo Palácio de Versailles/França? No post anterior já expliquei como se faz para chegar na cidade, de trem, saindo da estação Montparnasse/Paris, do preço do ingresso e de como funciona tudo por lá. Portanto.... agora chegou a vez de rendermos homenagens à última rainha da França, a dona da casa, D. Maria Antonieta.

A delfina, aos 12 anos, belíssima!!!

Austríaca, nascida no Dia de Finados (02/11/1755), Maria Antonieta era bela e despertava grandes paixões. Um dos que se renderam aos seus encantos e, ingenuamente, até se considerou noivo da nobre era, ninguém mais, ninguém menos...  que Mozart. Polêmica, chegou a França quando tinha apenas 14 anos para se casar com o delfim Luís XVI (herdeiro do trono).


Para enfrentar a Corte e toda a nobreza francesa, exageradíssima em Versailles, a moça austríaca fez uso de ferramentas importantes: com o luxo conseguia se impor; contestou e rompeu regras; lançou moda, estilo e arte, revolucionou a vida no Palácio austero. Conquistou inimizades e antipatia, mas também se cercou de pessoas leais e soube desfrutar a vida como ninguém!


Virou ícone de uma época – representando uma classe, um modo de pensar e de viver – tarefa árdua destinada a poucas pessoas. Ela foi alvo de julgamentos controversos: por um lado, era tida como símbolo da arrogância e da insensatez da monarquia francesa; de outro, era admirada como uma mártir, sacrificada por loucos que tinham se voltado contra a ordem sagrada das coisas.

Quando deu a luz ao herdeiro do trono, ganhou de presente do Rei (seu marido) o Petit Trianon, um charmoso palácio em Versailles que havia pertencido à amante do Rei Luís XV, a ex-prostituta Madame du Barry. Lá, Maria Antonieta levava uma vida diferente, longe das festas e noitadas parisienses. Foi a sua fase "Flor do Campo", quando lidava com a terra, os animais e se vestia de forma mais despojada.


O lugar é magnífico. Tudo bem preservado como se a ação do tempo não tivesse efeito por lá. O dourado e a prataria reluzem, as tapeçarias e tecidos esbanjam cor e vivacidade, os jardins continuam lindos, adubados e férteis. É como se a qualquer instante fôssemos vê-la brincando com seus filhos naquela paisagem fascinante.



"Se não têm pão, que comam brioches"! Historiadores já afirmam que a famosa frase não foi proferida pela rainha. E que o apelido de "Rainha do Déficit" também não foi justo. Enfim, a polêmica existe até os dias atuais. Marie Antoniette ainda dita moda (John Galliano criou, em 2000, uma coleção inteira de alta-costura dedicada a ela para a grife Christian Dior) e é assunto, séculos depois de sua morte.

Sem dúvida, ela não foi uma mulher fútil e ingênua, mas sim uma mestra em usar o glamour como arma para se firmar numa corte estranha e hostil. Entendeu que ser uma rainha significava essencialmente interpretar um papel. Mais que isso, ela logo descobriu que, por meio de mudanças na moda, podia modificar esse papel e até fugir dele. Ela possuia uma percepção bem sofisticada e moderna do poder da imagem para mudar a realidade.


Mas toda a astúcia com que Maria Antonieta se firmou na corte de seu marido, o rei Luís XVI, não lhe serviu de nada quando estourou a Revolução Francesa, em 1789, que proclamou a liberdade e a igualdade para todos os cidadãos. Foi uma das maiores reviravoltas da história, considerada o marco que separa a Idade Moderna da Idade Contemporânea.


Era o fim do que ficaria conhecido como o “Antigo Regime”, em que os privilégios da nobreza estavam acima de tudo. Era o fim do mundo de Maria Antonieta. Condenada à morte, a "última rainha da França" viveu um papel que não combinava com ela, o de vítima. Em 16 de outubro de 1793, foi guilhotinada em praça pública.

Para nós, restam os livros, filmes, inspirações e Versailles.....

Cada cabeça, uma sentença......

E que cada um forme sua própria opinião e tire suas conclusões!



sexta-feira, 1 de abril de 2011

Versailles, o palácio

Nada como um dia nobre e majestoso para contar um pouquinho sobre a experiência de se visitar o Château de Versailles/França.

Para começo de história, tive uma ótima facilidade: estava hospedada em Montparnasse e pude ir caminhando, curtindo o tímido sol da manhã, até a estação de trens do bairro. Lá, me informei no guichê e comprei o bilhete até a cidade de Versailles.

Rápido, prático e seguro. Nada de drama para chegar lá, hein... basta descer na estação que leva o nome do palácio e andar um pouco (dois quarteirões, uma caminhada de uns 10 minutos, no máximo). Você é esperto, descolado e não precisa desembolsar uma pequena fortuna para conhecer Versailles, seja inteligente.

Pois bem, quando a gente chega lá passa pela primeira revista (de costume) e adquire o ingresso - há algumas opções... eu escolhi o passaporte completo (com direito ao palácio, jardins e domínios de Maria Antonieta). Não quis o kit com o fone e explicações porque preferi ficar solta por lá. Ventava absurdamente, o frio era de doer na alma (início de março), mas ainda assim aproveitei tudo.

Versailles apresenta características peculiares e já demonstra isso desde o primeiro contato visual, já que sua suntuosidade dourada reluz ao sol mesmo à distância. Aconselho uma boa pesquisa na internet, antes da visita, para que possa absorver tudo aquilo e compreender a importância de se caminhar pelos ambientes. A emoção é forte e única.

Pretendo dividir em tópicos essa visita, para que eu possa comentar de forma mais detalhada a importância histórica do local. Para início de conversa, a gente precisa ter, no mínimo, uns 50 euros disponíveis (13 para o trem ida e volta; 18 para o passaporte completo, 3,60 para o trenzinho do palácio/jardins; 10 para um lanche e uns extras para as magníficas comprinhas nas boutiques de Versailles).

Quem estiver exausto, só de olhar para o infinito jardim, pode alugar o carrinho e pilotar à vontade (há bicicletas também). Basta querer e pagar. Como o frio estava cortante, preferi andar para tentar aquecer, rs. Mais uma observação: esse é um passeio de dia inteiro. Isso se quiser realmente conhecer e aproveitar Versailles. Tem gente que vai até lá e só visita o palácio principal. Não acho válido. Se você está lá, trate de deixar a preguicinha de lado. Vá fundo!

É história vivinha da silva. Esperando por você. Em 1660, quando o monarca Luiz XIV ainda era menor de idade e seus conselheiros governavam a França, aconteceu a escolha de seu assentamento. O lugar afastado de Paris se deu por conta das doenças e tumulto da cidade lotada. Construído pelo já citado "Rei Sol", a partir de 1664, Versailles foi por mais de um século modelo de residência real na Europa, e por muitas vezes foi copiado.

Vamos aos números? Considerado um dos maiores do mundo, o Palácio possui 2.153 janelas, 67 escadas, 352 chaminés, 700 quartos, 1.250 lareiras e 700 hectares de parque. É um dos pontos turísticos mais visitados de França, recebe em média oito milhões de turistas por ano.

O meu point preferido, no topo da lista, é a Galeria de Espelhos........ uma sala com 73m de comprimento, 12,30m de altura e iluminada por dezessete janelas que têm a sua frente, espelhos que refletem a vista dos jardins. Isso sem mencionar os incontáveis lustres de cristal que ornamentam o salão e impõem toda a magnitude do lugar.

Em 1837 o castelo foi transformado em museu de história. O palácio está cercado por uma grande área de jardins, uma série de plataformas simétricas com canteiros, estátuas, vasos e fontes trabalhados, projetados por André Le Nôtre.

É um negócio de louco... uma visita longa, cansativa, mas incrivelmente fascinante.

Vou contar mais em outras postagens, tá?

Ainda nem citei Maria Antonieta... tem muita coisa pela frente!!!

Aproveite !